Ilustração conceitual com cactos sob um sol radiante e formas orgânicas que remetem à arte modernista brasileira
Petisco Cultural
11/10/2026 3 min de leitura

O Abaporu, de Tarsila do Amaral, e o movimento antropofágico

Pintada em 1928 como um presente de aniversário, a obra deu origem a um dos manifestos mais influentes do modernismo brasileiro.

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Em janeiro de 1928, a pintora Tarsila do Amaral finalizou uma tela para presentear seu então marido, o escritor Oswald de Andrade. A imagem de uma figura melancólica, com pés e mãos agigantados ao lado de um cacto sob o sol, impressionou Oswald a ponto de transformar a história das artes no Brasil.

Ao ver o quadro, o escritor e o poeta Raul Bopp buscaram no dicionário Tupi-Guarani um nome que traduzisse aquela presença imponente: uniram aba (homem), poru (que come) e u (carne). Assim nasceu o Abaporu - “o homem que come carne humana”.

A tela serviu de inspiração direta para o Manifesto Antropófago, publicado por Oswald no mesmo ano. A proposta central do movimento antropofágico era deglutir as vanguardas artísticas europeias e assimilá-las à cultura nativa brasileira, transformando influências externas em uma arte genuinamente nacional.

Atualmente pertencente ao acervo do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), o Abaporu permanece como o símbolo mais célebre do modernismo brasileiro, lembrando que a identidade cultural se constrói na reinvenção constante de nossas raízes.

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