Escrita pelo paraibano Ariano Suassuna em 1955 e encenada no ano seguinte, a peça teatral O Auto da Compadecida tornou-se um dos maiores marcos da dramaturgia brasileira. Ambientada no sertão de Pernambuco, a história acompanha as peripécias de João Grilo e Chicó, dois sertanejos astutos que lutam pela sobrevivência entre a extrema pobreza e a exploração.
A genialidade de Suassuna esteve em conectar a estrutura do auto medieval ibérico às tradições populares do Nordeste, especialmente os folhetos de cordel e o teatro de mamulengos. Elementos de narrativas tradicionais, como o “Aviso dos Padeiros” e a “Peleja do Trovador da Morte”, foram entrelaçados para construir uma comédia satírica e profundamente humanista.
Em 1999, a obra ganhou uma adaptação clássica produzida para a televisão e exibida como minissérie pela TV Globo, sob a direção de Guel Arraes. Editada no ano seguinte para o formato de longa-metragem, a produção cinematográfica consagrou Matheus Nachtergaele e Selton Mello nos papéis principais e aproximou o texto clássico de novos públicos.
Ao misturar religiosidade popular, crítica social e humor mordaz, O Auto da Compadecida celebra a inteligência do povo brasileiro diante das adversidades, mantendo-se viva e relevante em palcos e telas de todo o país.